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Pioneiros de uma utopia

Primeiro congresso EdC no Paraguai. Foco no empresário.

por Silvano Malini

140905-07 Asuncion 03 ridJovens e adultos sorridentes, ambiente descontraído, brincadeiras… nada de ternos e gravatas… Tudo bem que hoje as reuniões de empresários tendem a serem menos formais, mas… será que me enganei? Este não pode ser o congresso de Economia de Comunhão! E, ao invés, é.  Carolina Peralta, da comissão organizadora, explica que não se trata de assistir aulas magistrais, mas de compartilhar as experiências da vida empresarial. Trata-se de um “encontro de comunhão na economia” sintetiza Andrés, de Buenos Aires.

São 120 participantes, entre os quais, empresários, gestores, trabalhadores e estudantes do Paraguai e da Argentina, reunidos no Centro Mariápolis “Maria, mãe da humanidade” de Surubi-i, nas proximidades de Mariano Roque Alonso (Paraguai). Um número significativo se pensarmos que em 2011 somente 4 pessoas praticavam a EdC no Paraguai.

140905-07 Asuncion 02 ridA jovem argentina Carolina Carbonell descreve em poucas palavras os sentimentos de muitos dos presentes: “Viajar centenas de quilômetros, durante muitas horas, por um momento agradável com os amigos (e com velhos amigos ainda para conhecer) pode parecer uma loucura. A resposta é que só se faz isso quando se segue um sonho, um chamado, uma vocação...”. “Falaram-nos sobre isto o prof. Luigino Bruni da Comissão Internacional, numa conferência skype de Roma, e o empresário Germán Jorge”.

Vocação…  “O empresário de EdC escolhe a pobreza”, diz o prof. Bruni. Quer dizer que nunca existirá um empresário de EdC rico? Germán Jorge, de Paraná (Entre Ríos, Argentina), proprietário e diretor de uma empresa de distribuição de materiais de construção com 60 colaboradores, responde: “A pobreza fere o empresário de EdC. Senão, não é um empresário de EdC. Não está imune dela, mas a abraça. Uma forma de abraçá-la é levando-a para dentro da empresa". Jorge conta que quando precisava trocar de carro e sua esposa lhe pediu para comprar uma minivan, porque as necessidades familiares tinham aumentado, ele se negava porque lhe parecia muito luxuosa. Depois, se adequou, um pouco pela necessidade e um pouco porque "o importante não é ter bens, mas usá-los bem: não depender deles, mas torná-los instrumentos a serviço da comunhão”.

140905-07 Asuncion 05 ridPor outro lado é bom demonstrar que é possível ser um empresário de sucesso mesmo abraçando este estilo de vida. Isto foi confirmado pelo argentino Ramón Cerviño, empresário no setor da saúde. Cerviño recorda as palavras de Maria Voce, presidente dos Focolares, que via a diferença entre estes empresários e os outros, principalmente no escolher a comunhão como estilo de vida, descobrindo, aceitando e escolhendo a diversidade do outro, aquilo que o faz diferente.

Um diálogo expressivo sobre a “vocação” do empresário de EdC motivou realmente todos, e os convenceu que devem ser catalisadores de comunhão, dentro e fora da empresa. “Temos que ser pessoas de comunhão, que vivem pela própria comunidade”, ressalta Germán Jorge em sua fala. E lembra uma metáfora de Enrique Shaw, empresário argentino para o qual foi aberto o processo de beatificação: “A sentinela não fica no alto para apreciar a paisagem, mas para cuidar da cidade”.

140905-07 Asuncion 04 ridNa economia capitalista”, reflete Germán, “o objetivo da empresa é gerar riqueza. No nosso caso gerar riqueza é um sinal de que as coisas estão indo bem, mas não é o fim. O fim é a comunhão e o próprio processo é comunhão: nos geramos como pessoas sendo empreendedores. E, desse modo, a empresa não é uma máquina para fazer dinheiro, mas uma comunidade de pessoas”. 

As histórias emocionantes de uma cabeleireira, de uma comerciante e de uma vendedora ambulante que criaram micro-empresas junto com suas famílias, são exemplos estimulantes de trabalho e tenacidade. É um dos frutos do “sistema EdC”: uma parte dos lucros das empresas é destinado a gerar trabalho através do apoio a micro-empreendedores. E estes, por sua vez, agem na lógica da comunhão.

140905-07 Asuncion 06 ridNo Paraguai e em toda a América do Sul, a comunhão é culturalmente inata.Vem de culturas ancestrais, como a dos guaranis. Estes índios moravam (e ainda moram, mas agora são poucos…) no Paraguai, numa parte da Argentina, do Brasil e do Uruguai. Administravam seus recursos na comunidade. Como vimos, acompanhados pela historiadora Diana Durán, autora de um livro que será publicado em breve, os guaranis escolhiam como líder a pessoa mais generosa; era fácil distinguir: normalmente era a que se vestia da pior forma, porque dava o que tinha aos mais necessitados. O estudo de Durán sobre “Reciprocidade e economia na pré-história e na história colonial”, mostra que os índios praticavam naturalmente o amor recíproco e que a cultura europeia enriqueceu a cultura guarani com o pensamento do cristianismo. Em certo sentido, como escrevia o grande guaranólogo Bartomeu Meliá, “a América não foi descoberta, mas coberta”.

Profundamente tocados pela calorosa acolhida paraguaia, os participantes partem cheios de entusiasmo e coragem para seguir o sonho de uma economia mais humana e geradora de fraternidade. Estes empresários voltam para a atividade quotidiana mais fortes em suas convicções. “São pessoas normais no mundo, mas olham tudo a partir da ótica de Deus”, afirma Mauxi Caballero, estudante de Administração de Asunción. “Assim criam um mundo diferente”, conclui.

Sim. Um mundo melhor e próspero para todos, onde dá vontade de morar.

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